Como melhorar a qualidade do sono com estes ajustes no quarto

Dormir bem vai muito além de cumprir horas na cama. O ambiente em que descansamos exerce influência direta sobre a qualidade do sono, impactando desde a facilidade para adormecer até a profundidade do repouso ao longo da noite. Iluminação inadequada, excesso de estímulos visuais, ruídos e até a escolha das cores podem interferir nesse processo.
Com alguns ajustes simples no quarto, é possível transformar o ambiente em um verdadeiro aliado para noites mais reparadoras e dias mais produtivos. Para ajudar nessa adaptação, a Casa Vogue conversou com a arquiteta e pesquisadora Maria Fernanda Brandi, doutoranda em Arquitetura e Cor pela FAU/USP. Confira as orientações da especialista:
Qual a sua identidade?
Segundo a pesquisadora Maria Fernanda Brandi, a decoração e as escolhas para o quarto devem começar por um processo de autoconhecimento. Entender a própria identidade e a forma de expressá-la no ambiente é essencial para criar um espaço aconchegante e propício ao relaxamento. “De forma geral, o importante é pensar quem vai ocupar esse quarto, porque a qualidade do sono e a saúde mental variam conforme o perfil de quem usa o espaço — uma criança, um casal ou um idoso, por exemplo”, explica.
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Os gostos e preferências de cada pessoa devem servir como guia para a escolha de cores, materiais, texturas e outros elementos capazes de influenciar a qualidade do sono.
Iluminação aconchegante
Um dos pontos mais importantes quando se fala em priorizar o relaxamento e o sono é a iluminação. Para a especialista, é importante que o ambiente receba ao menos um pouco de luz solar durante o dia. À noite, a recomendação é apostar em uma iluminação difusa e indireta, com abajures ou luminárias funcionando como pontos focais para atividades realizadas antes de dormir, como a leitura.
Na casa de Isa Scherer, em São Paulo, o quarto aposta em uma grande variedade de cores e texturas e harmonia
André Klotz | Estilo Adriana Frattini
“Outro ponto importante é a temperatura da luz. Ela diz respeito à tonalidade da iluminação e não à intensidade luminosa. Existe a ideia equivocada de que a luz branca fria ilumina mais, mas isso não é verdade. Pesquisas indicam que a luz amarelada, em torno de 3.000 Kelvin, é mais adequada para salas e quartos”, completa.
Cor e emoções
Que as cores despertam emoções, isso já sabemos. Mas qual é a tonalidade ideal para o quarto? Nesse caso, volta a questão da identidade: “Como buscamos um ambiente aconchegante, isso pode variar de pessoa para pessoa”.
Ainda assim, a pesquisadora prefere utilizar cores de saturação média — nem muito claras, nem muito escuras. “Eu evitaria cores muito saturadas, muito fortes, e também as excessivamente claras. O branco, por exemplo, reflete muita luz no ambiente. Também recomendo evitar o excesso de metais e espelhos, porque refletem luz e estímulos”, explica.
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Diversidade de texturas
A mistura entre cores e texturas também é importante para garantir aconchego ao ambiente, já que a informação sensorial ajuda tanto a relaxar quanto a prender a atenção. “Ter texturas ajuda a distrair de forma mais natural, sem recorrer às telas e à luz azul dos dispositivos. Gosto de usar materiais naturais, como tijolo, tecido, madeira, palhinha, além de cores próximas às encontradas na natureza”, afirma.
Ruídos sonoros e visuais
O ruído pode impactar significativamente a qualidade do sono, por isso vale investir em soluções que minimizem esse incômodo. Entre as alternativas estão janelas acústicas e cortinas com isolamento sonoro, muitas vezes também do tipo blackout, que ajudam a bloquear tanto sons externos quanto a entrada de luz. Máquinas de som branco também podem ser aliadas nesse processo.
O quarto de Chay Suede e Laura Neiva é marcado por tons de azul e papel de parede floral
Deco Cury
Além das intervenções físicas, a percepção sonora também pode ser trabalhada. “Em alguns projetos, tons terrosos e amarronzados foram utilizados para suavizar a forma como o ruído é percebido, criando uma sensação maior de acolhimento e tranquilidade no ambiente”, esclarece a pesquisadora.
A organização visual do quarto também influencia no descanso. No entanto, um espaço arrumado não precisa ser vazio: objetos decorativos e lembranças afetivas podem contribuir para o relaxamento quando estão em ordem. Já itens ligados a tarefas pendentes, como pilhas de livros ou roupas acumuladas, tendem a gerar ansiedade. “Por isso, o ideal é preservar o quarto como um espaço voltado ao descanso e ao bem-estar”, comenta.
Aromas que acolhem
Os aromas também podem contribuir para o relaxamento, embora a preferência varie de pessoa para pessoa. Enquanto algumas pessoas preferem ambientes neutros e bem ventilados, outras se sentem acolhidas por fragrâncias suaves.
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Conexão com o entorno e paisagem é algo essencial no projeto assinado por Renata Pascucci, à frente do Studio Carlito e Renata Pascucci
Julia Novoa
Cheiros ligados à natureza, como lavanda, ervas, flores e mar, costumam ser boas opções, assim como difusores e umidificadores perfumados, especialmente em locais secos. Aromas afetivos, como o de roupa limpa, também podem trazer sensação de conforto. “O ideal é testar e descobrir quais funcionam melhor para cada pessoa”, finaliza.

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