De Nova York a São Paulo: galeria inaugura no Brasil com peças raras e design contemporâneo

Com atuação desde 2017 em Nova York, a galeria Bossa desembarcou em solo brasileiro, no bairro da Bela Vista, em São Paulo, no ínicio do mês de abril. No amplo portfólio de criativos da empresa, figuram obras de mestres como Joaquim Tenreiro, Lina Bo Bardi, Carlo Hauner, Martin Eisler e Sergio Rodrigues, além de criadores contemporâneos, a exemplo de Lucas Recchia, Daniel Jorge, India Mahdavi, Juliana Vasconcellos e Domingos Tótora.
Segundo a fundadora e diretora criativa Isabela Milagre, a expansão para a capital paulista se deu em decorrência de uma combinação entre oportunidade de mercado e infraestrutura logística. “Estar fora nos deu chancela global e o privilégio de aprender diariamente com colecionadores, clientes e marcas extremamente exigentes, como YSL, Dior e Louis Vuitton”, destaca. Ela afirma ainda que trazer a Bossa para terras brasileiras permite aplicar essa expertise internacional para oferecer ao mercado local uma experiência de compra diferenciada. A ocasião foi marcada pela estreia da galeria de design e arte na 22ª edição da SP-Arte, realizada na última semana.
Tapete da coleção da Beni Rugs
Divulgação
A respeito da escolha pela atuação inicial no exterior, a diretora criativa detalha que as experiências compartilhadas durante o período de trabalho com o pai foram decisivas. “A pesquisa e a construção das coleções sempre foram processos enraizados no Brasil, mas o foco comercial inicial no exterior foi uma decisão estratégica viabilizada por um forte know-how familiar em exportação” afirma. Esse conhecimento foi combinado à percepção de que a história do design brasileiro deveria, cada vez mais, ser narrada a partir do ponto de vista de agentes locais, capazes de traduzir com precisão suas nuances culturais e o contexto autêntico de cada peça.
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Pensado para o convívio
A poltrona Zig Zag (1948) foi desenhada por Lina Bo Bardi e Geancarlo Palanti para o Studio Palma
Divulgação
No endereço paulistano com mais de mil m², situado na Rua Maria José, 158, a galeria foi dividida em dois ambientes principais: um deles batizado de Instituto de Pesquisa e Restauração do Design Brasileiro, onde está estabelecido um ateliê de restauração, e uma área dedicada ao programa curatorial, que amplia a atuação da galeria. “O público não entra em um showroom estático, ele entra em uma operação que envolve recepção, catalogação, restauro e guarda técnica (conjunto de documentos, desenhos, especificações e informações detalhadas necessárias para a produção, fabricação e montagem de um móvel). É um espaço de transparência total, onde o rigor do laboratório convive com o nosso ritual de receber”, salienta a fundadora.
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Na sede da galeria, o conceito é que a exposição não seja contemplativa, mas funcional, e o recinto pensado como um cenário de testes reais: os artigos são concebidas para serem ocupadas, não apenas para serem vistas. “A convivência — seja em um atendimento técnico ou em um jantar — é o que valida o design. Quando o público interage com a peça, ele entende o que o nosso workshop defende: o equilíbrio entre a estabilidade estrutural e a experiência sensorial”.
Quanto à escolha dos mobiliários e objetos que integram o conjunto da Bossa, tanto brasileiras quanto internacionais, a prioridade é o “feito à mão”, que reflete a preservação de raridade combinada à maestria na execução. “No final, o artesanato é o que nos permite entregar um design que tem alma e história, porém, que é sustentado por uma execução impecável e que tem toda uma cadeia de produção que respeita a história e quem faz, isso pra gente é inegociável”, avalia Isabela.
Algumas referências são os trabalhos de tapeçaria de lã de altitude da marroquina Beni Rugs; o rattan utilizado pela arquiteta francesa India Mahdavi, onde uma fibra natural é trabalhada com uma precisão geométrica que a eleva ao design de alta estirpe; e o bronze de Lucas Recchia, que utiliza processos de fundição ancestrais para entregar uma estética contemporânea e disruptiva.

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