Segundo a fundadora e diretora criativa Isabela Milagre, a expansão para a capital paulista se deu em decorrência de uma combinação entre oportunidade de mercado e infraestrutura logística. “Estar fora nos deu chancela global e o privilégio de aprender diariamente com colecionadores, clientes e marcas extremamente exigentes, como YSL, Dior e Louis Vuitton”, destaca. Ela afirma ainda que trazer a Bossa para terras brasileiras permite aplicar essa expertise internacional para oferecer ao mercado local uma experiência de compra diferenciada. A ocasião foi marcada pela estreia da galeria de design e arte na 22ª edição da SP-Arte, realizada na última semana.
Tapete da coleção da Beni Rugs
Divulgação
A respeito da escolha pela atuação inicial no exterior, a diretora criativa detalha que as experiências compartilhadas durante o período de trabalho com o pai foram decisivas. “A pesquisa e a construção das coleções sempre foram processos enraizados no Brasil, mas o foco comercial inicial no exterior foi uma decisão estratégica viabilizada por um forte know-how familiar em exportação” afirma. Esse conhecimento foi combinado à percepção de que a história do design brasileiro deveria, cada vez mais, ser narrada a partir do ponto de vista de agentes locais, capazes de traduzir com precisão suas nuances culturais e o contexto autêntico de cada peça.
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Pensado para o convívio
A poltrona Zig Zag (1948) foi desenhada por Lina Bo Bardi e Geancarlo Palanti para o Studio Palma
Divulgação
No endereço paulistano com mais de mil m², situado na Rua Maria José, 158, a galeria foi dividida em dois ambientes principais: um deles batizado de Instituto de Pesquisa e Restauração do Design Brasileiro, onde está estabelecido um ateliê de restauração, e uma área dedicada ao programa curatorial, que amplia a atuação da galeria. “O público não entra em um showroom estático, ele entra em uma operação que envolve recepção, catalogação, restauro e guarda técnica (conjunto de documentos, desenhos, especificações e informações detalhadas necessárias para a produção, fabricação e montagem de um móvel). É um espaço de transparência total, onde o rigor do laboratório convive com o nosso ritual de receber”, salienta a fundadora.
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Na sede da galeria, o conceito é que a exposição não seja contemplativa, mas funcional, e o recinto pensado como um cenário de testes reais: os artigos são concebidas para serem ocupadas, não apenas para serem vistas. “A convivência — seja em um atendimento técnico ou em um jantar — é o que valida o design. Quando o público interage com a peça, ele entende o que o nosso workshop defende: o equilíbrio entre a estabilidade estrutural e a experiência sensorial”.
Quanto à escolha dos mobiliários e objetos que integram o conjunto da Bossa, tanto brasileiras quanto internacionais, a prioridade é o “feito à mão”, que reflete a preservação de raridade combinada à maestria na execução. “No final, o artesanato é o que nos permite entregar um design que tem alma e história, porém, que é sustentado por uma execução impecável e que tem toda uma cadeia de produção que respeita a história e quem faz, isso pra gente é inegociável”, avalia Isabela.
Algumas referências são os trabalhos de tapeçaria de lã de altitude da marroquina Beni Rugs; o rattan utilizado pela arquiteta francesa India Mahdavi, onde uma fibra natural é trabalhada com uma precisão geométrica que a eleva ao design de alta estirpe; e o bronze de Lucas Recchia, que utiliza processos de fundição ancestrais para entregar uma estética contemporânea e disruptiva.



