Muito além da função utilitária, os espelhos são aliados na decoração, capazes de ampliar visualmente os ambientes com praticidade. Durante a última edição da SP-Arte, realizada entre os dias 8 e 12 de abril, essas peças chamaram atenção não apenas pela versatilidade, mas também pelos traços artísticos e, sobretudo, pelas molduras elaboradas com materiais inusitados — do plástico reciclado a lâminas de vidro coloridas.
Cada um com sua particularidade, reunimos os espelhos apresentados na última semana no evento que ocorreu no Pavilhão da Bienal, no Parque Ibirapuera.
Espelho Dominó – Assimply
O lançamento explora a geometria a partir do princípio do dominó, gerando composições únicas a cada configuração
Renata Casagrande
Moldada por 98 quadriláteros, produzidos a partir de alumínio reciclado, fundido e polido, a peça exibe uma interação de geometria que pode parecer aleatória em um primeiro momento. O princípio do dominó define os quadros que compõem o espelho e serve como uma metáfora: “O jogo, que sempre é composto pelas mesmas formas geométricas, resulta n padrão singular e único sobre a mesa a cada rodada, assim como o item”, explicam Victor Xavier e Søren Hallberg, fundadores do estúdio.
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Espelho Mineral – Iro Studio para a Boobam
Inspirado no vitral e em formações minerais, o espelho Mineral combina vidro artesanal, cor e textura em uma composição orgânica
Leila Viegas
A investigação de Lika Kikkawa, designer do IRO Studio, sobre as possibilidades do vidro a conduziu ao vitral, técnica ancestral que transforma luz e cor em matéria, e ao encontro com os vitrais da Chapelle du Rosaire, de Henri Matisse, em Vence, na França, que inspirou uma releitura contemporânea da linguagem.
A partir dessa pesquisa, nasceu o espelho Mineral, que une caráter gráfico e escultórico a uma função utilitária, inspirado em formações minerais e composto por lâminas de vidro coloridas e texturizadas manualmente, organizadas como veios orgânicos. Produzida artesanalmente, com placas cortadas uma a uma e guardadas há mais de uma década, a peça revela um jogo entre transparência, opacidade e tons, evocando paisagens naturais e a passagem do tempo.
Espelho da série Entre Linhas – Leandro Garcia
O item faz parte da linha que explora repetição e modulação a partir de uma haste de madeira, criando composições que articulam cheios e vazios
André Klotz
Partindo de uma unidade mínima — a haste de madeira —, a coleção Entre Linhas constrói uma identidade baseada na repetição, modulação e variação, a partir de princípios construtivos claros que permitem múltiplas configurações com um mesmo elemento. A economia de meios evidencia as conexões e a alternância entre matéria e intervalo, definindo cheios e vazios em uma lógica que dialoga diretamente com a Arte Concreta, na qual a forma resulta de relações rigorosas entre linhas, planos e proporções.
“A série também estabelece conexões com a Cadeira de Beira de Estrada (1967), de Lina Bo Bardi, ao organizar-se por meio do cruzamento de elementos essenciais, e com procedimentos presentes na obra de Cildo Meireles, em que a repetição gera variações a partir de mudanças sutis de escala, posição e encaixe”, explica o designer.
Espelho Aura – Prosa
Espelhos SP-Arte
Guilherme Amaral
Na coleção Gratuja, assinada por Júlia Rovigo e Gabriel Pesca, a geometria aparece como estrutura, base e sustentação. Em contraste, as formas orgânicas se manifestam como gesto livre, quase instintivo, expressão genuína de pensamento e movimento, um desenho que nasce do corpo antes de se tornar linguagem.
Esse diálogo aparece no espelho de piso bipartido apoiado sobre base cônica, que explora a repetição e a simetria, ao mesmo tempo em que fragmenta o reflexo e propõe uma percepção dinâmica do objeto e do espaço, fragmentando a ideia de si em múltiplos.
Espelho Prisma Açafrão – Suite
O espelho conta com mármore Rainforest Brown
Pedro Ocanhas
O artigo integra a coleção In.verso, da Suite, que nasceu da combinação entre plástico reciclado triturado e fragmentos de pedra natural provenientes de descartes. Essa relação cria contrastes visuais e táteis e, ao mesmo tempo, propõe um novo olhar sobre resíduos — tratados não apenas como solução sustentável, mas como matéria de forte potencial expressivo.
De acordo com os arquitetos Carolina Mauro, Daniela Frugiuele, Filipe Troncon e Luiza Monari, à frente do escritório, a ideia surgiu de uma inquietação que já acompanhava o trabalho do estúdio: como incorporar a sustentabilidade de forma mais concreta no alto padrão, pois havia a sensação de que algo ainda não conseguia se concretizar.
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Espelho Vestígio – Oficina Umauma
O artigo transforma o reflexo em experiência ao fragmentar a imagem e explorar a relação entre luz, percepção e estrutura
Julia Thompson
Desenhado por Fernanda Barretto, o acessório desloca o olhar do uso para a estrutura, do resultado para o processo. Ao fragmentar o reflexo, cria um espaço de pausa, onde observar se torna mais importante do que reconhecer. “A imagem se interrompe, a luz se reorganiza. Ao tensionar os limites entre função e contemplação, propõe outra forma de relação com o objeto”, detalha a designer.
Espelho Je Sous Rature – Marcelo Stefanovicz para a Designers Group Gallery
A moldura de aço divide o reflexo e incorpora o observador em um jogo entre ordem e caos
André Klotz
Na criação, as barras de aço transformam um movimento espontâneo e impreciso em estrutura, tensão e volume. “O espelho atua como campo instável de reflexão, riscando o observador e o incorporando ao emaranhado de linhas e sombras”, pontua Marcelo. Entre ordem e caos, função e escultura, o trabalho revela a poética do erro, da rasura e da impermanência como linguagem formal. Um gesto de apagamento parcial baseado no conceito Sous Rature, do filósofo francês Jacques Derrida, que consiste em escrever uma palavra, riscá-la, porém, mantê-la legível.
Espelho Rei – Lucas Neves
O espelho destaca o trabalho de marcenaria de Lucas Neves
Divulgação
Formado em arquitetura, o criativo desenvolve peças que surgem da interseção entre arte, técnica, trabalho manual e conhecimento teórico. Todo o trabalho é feito à mão, por ele mesmo, em um processo que valoriza tanto a precisão quanto a expressão criativa. Para o novíssimo espelho, utilizou madeira imbuia proveniente de um galpão desmontado no Sul do país. Essa mistura entre design e arte atravessa profundamente sua produção, sempre guiada pelo desejo de criar peças que não apenas ocupem a casa, mas que se tornem verdadeiros personagens dentro dela.
Cada um com sua particularidade, reunimos os espelhos apresentados na última semana no evento que ocorreu no Pavilhão da Bienal, no Parque Ibirapuera.
Espelho Dominó – Assimply
O lançamento explora a geometria a partir do princípio do dominó, gerando composições únicas a cada configuração
Renata Casagrande
Moldada por 98 quadriláteros, produzidos a partir de alumínio reciclado, fundido e polido, a peça exibe uma interação de geometria que pode parecer aleatória em um primeiro momento. O princípio do dominó define os quadros que compõem o espelho e serve como uma metáfora: “O jogo, que sempre é composto pelas mesmas formas geométricas, resulta n padrão singular e único sobre a mesa a cada rodada, assim como o item”, explicam Victor Xavier e Søren Hallberg, fundadores do estúdio.
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Espelho Mineral – Iro Studio para a Boobam
Inspirado no vitral e em formações minerais, o espelho Mineral combina vidro artesanal, cor e textura em uma composição orgânica
Leila Viegas
A investigação de Lika Kikkawa, designer do IRO Studio, sobre as possibilidades do vidro a conduziu ao vitral, técnica ancestral que transforma luz e cor em matéria, e ao encontro com os vitrais da Chapelle du Rosaire, de Henri Matisse, em Vence, na França, que inspirou uma releitura contemporânea da linguagem.
A partir dessa pesquisa, nasceu o espelho Mineral, que une caráter gráfico e escultórico a uma função utilitária, inspirado em formações minerais e composto por lâminas de vidro coloridas e texturizadas manualmente, organizadas como veios orgânicos. Produzida artesanalmente, com placas cortadas uma a uma e guardadas há mais de uma década, a peça revela um jogo entre transparência, opacidade e tons, evocando paisagens naturais e a passagem do tempo.
Espelho da série Entre Linhas – Leandro Garcia
O item faz parte da linha que explora repetição e modulação a partir de uma haste de madeira, criando composições que articulam cheios e vazios
André Klotz
Partindo de uma unidade mínima — a haste de madeira —, a coleção Entre Linhas constrói uma identidade baseada na repetição, modulação e variação, a partir de princípios construtivos claros que permitem múltiplas configurações com um mesmo elemento. A economia de meios evidencia as conexões e a alternância entre matéria e intervalo, definindo cheios e vazios em uma lógica que dialoga diretamente com a Arte Concreta, na qual a forma resulta de relações rigorosas entre linhas, planos e proporções.
“A série também estabelece conexões com a Cadeira de Beira de Estrada (1967), de Lina Bo Bardi, ao organizar-se por meio do cruzamento de elementos essenciais, e com procedimentos presentes na obra de Cildo Meireles, em que a repetição gera variações a partir de mudanças sutis de escala, posição e encaixe”, explica o designer.
Espelho Aura – Prosa
Espelhos SP-Arte
Guilherme Amaral
Na coleção Gratuja, assinada por Júlia Rovigo e Gabriel Pesca, a geometria aparece como estrutura, base e sustentação. Em contraste, as formas orgânicas se manifestam como gesto livre, quase instintivo, expressão genuína de pensamento e movimento, um desenho que nasce do corpo antes de se tornar linguagem.
Esse diálogo aparece no espelho de piso bipartido apoiado sobre base cônica, que explora a repetição e a simetria, ao mesmo tempo em que fragmenta o reflexo e propõe uma percepção dinâmica do objeto e do espaço, fragmentando a ideia de si em múltiplos.
Espelho Prisma Açafrão – Suite
O espelho conta com mármore Rainforest Brown
Pedro Ocanhas
O artigo integra a coleção In.verso, da Suite, que nasceu da combinação entre plástico reciclado triturado e fragmentos de pedra natural provenientes de descartes. Essa relação cria contrastes visuais e táteis e, ao mesmo tempo, propõe um novo olhar sobre resíduos — tratados não apenas como solução sustentável, mas como matéria de forte potencial expressivo.
De acordo com os arquitetos Carolina Mauro, Daniela Frugiuele, Filipe Troncon e Luiza Monari, à frente do escritório, a ideia surgiu de uma inquietação que já acompanhava o trabalho do estúdio: como incorporar a sustentabilidade de forma mais concreta no alto padrão, pois havia a sensação de que algo ainda não conseguia se concretizar.
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Espelho Vestígio – Oficina Umauma
O artigo transforma o reflexo em experiência ao fragmentar a imagem e explorar a relação entre luz, percepção e estrutura
Julia Thompson
Desenhado por Fernanda Barretto, o acessório desloca o olhar do uso para a estrutura, do resultado para o processo. Ao fragmentar o reflexo, cria um espaço de pausa, onde observar se torna mais importante do que reconhecer. “A imagem se interrompe, a luz se reorganiza. Ao tensionar os limites entre função e contemplação, propõe outra forma de relação com o objeto”, detalha a designer.
Espelho Je Sous Rature – Marcelo Stefanovicz para a Designers Group Gallery
A moldura de aço divide o reflexo e incorpora o observador em um jogo entre ordem e caos
André Klotz
Na criação, as barras de aço transformam um movimento espontâneo e impreciso em estrutura, tensão e volume. “O espelho atua como campo instável de reflexão, riscando o observador e o incorporando ao emaranhado de linhas e sombras”, pontua Marcelo. Entre ordem e caos, função e escultura, o trabalho revela a poética do erro, da rasura e da impermanência como linguagem formal. Um gesto de apagamento parcial baseado no conceito Sous Rature, do filósofo francês Jacques Derrida, que consiste em escrever uma palavra, riscá-la, porém, mantê-la legível.
Espelho Rei – Lucas Neves
O espelho destaca o trabalho de marcenaria de Lucas Neves
Divulgação
Formado em arquitetura, o criativo desenvolve peças que surgem da interseção entre arte, técnica, trabalho manual e conhecimento teórico. Todo o trabalho é feito à mão, por ele mesmo, em um processo que valoriza tanto a precisão quanto a expressão criativa. Para o novíssimo espelho, utilizou madeira imbuia proveniente de um galpão desmontado no Sul do país. Essa mistura entre design e arte atravessa profundamente sua produção, sempre guiada pelo desejo de criar peças que não apenas ocupem a casa, mas que se tornem verdadeiros personagens dentro dela.



